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O Labirinto Pós-colonial: Identidade E Memória Na Narrativa De António Lobo Antunes

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O Labirinto Pós-colonial: Um Ensaio de Fôlego

No ensaio "O Labirinto Pós-colonial" , Daniel Osiecki relaciona os conceitos de memória propostos por Seligmann-Silva, Benjamin, Freud e Bergson, passando pelos estudos sobre personagem de Bakhtin, às narrativas do escritor português contemporâneo António Lobo Antunes.

Os enredos dos dois primeiros romances do autor, Memória de Elefante (1979) e Os Cus de Judas (1979), são bastante simples e circulares. Durante o processo de construção do discurso memorialístico, porém, que é o leitmotiv de ambos os livros, os narradores se inserem em labirintos temporais irredutíveis.

O ato de lembrar, para esses personagens-médicos que participaram da Guerra Colonial em Angola, detona embates existenciais traumáticos como, por exemplo, a relação conflituosa entre o que vivenciam no presente e o que guardam do período hostil.

Além de amparada pela perspectiva dos estudos literários, a investigação de Osiecki mira nas teorizações da identidade. Para isso, levam-se em conta as abordagens de Boaventura de Sousa Santos a respeito da formação da identidade e várias acepções do termo pós-colonial.

Nas obras antunianas, afinal, nota-se um discurso intrincado que, simulando a confusão mental dos narradores, não oferece respostas às indagações suscitadas.

"O Labirinto Pós-colonial" , assim, busca destacar a memória como parte integrante da ficção de Lobo Antunes, e sua ficção como parte integrante da memória.