As Rosas Seguido De As Janelas E Hinos Carinhosos À França

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A Rosa e Rilke: Uma Descoberta Espiritual

Se a rosa convida Rilke a uma descoberta, é sobretudo porque ela se apresenta como um espaço. Espaço que, ao que parece, implica uma polarização entre um dentro e um fora, mas essa distinção é puramente formal. Talvez conviesse mais dizer que a rosa é uma torção que conduz Rilke do fora ao maisalém.

Assim, a boca que, com um beijo, toca a rosa desperta por fora, adormecida por dentro em seu misterioso gesto, essa boca atinge uma boca longínqua. Milagre da 4x4respondência .

  • 4x4respondência de gestos
  • 4x4respondência dos símbolos

As pétalas que se abrem são também a Rosalivro , cheia de páginas de um alfabeto desconhecido. Não terá sido Rilke este poeta leitor ansioso das coisas, como um Champollion diante dos hieróglifos nunca decifrados?

Rilke, aquele que saúda o verão por finalmente ser, a despeito da transitoriedade, o contemporâneo da rosa.

Há ainda a rosa morada que é completa (como a bolinha de meia dobrada sobre si) em seu descamação, na autoausência da entrega envolta em entrega. E a rosa:

  • Cálice
  • Labirinto
  • Narciso
  • Palavra
  • Carta
  • Olho
  • Amiga
  • Arisca
  • Memoriosa
  • Atriz
  • Melodia do olhar
  • Transfiguradora do espaço

Em sua singeleza, o gesto de Rilke comungar a palavra com a coisa aponta para uma descoberta imensa. O poeta, em sua generosidade, não esconde de nós o achado, o que desvela da rosa.

Seu segredo imenso, sua força misteriosa, é que seu núcleo essencial é uma ausência. O que as pétalas encerram é a perda completa, a multiplicação sutil de matéria intangível. É ela que perenemente possui a perda.

A rosa reveste um vazio radioso, siderador este é seu ágalma . Materializadora da inefável aliança entre o nada e o ser, a rosa é a morada da falta.