Poemas Da Recordação E Outros Movimentos
Código: 340454567 / MP958108800

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Edição Comemorativa de Dez Anos da Editora Malê
Sinopse
No princípio, era a mãe. Ou seja, o verbo era mulher. Foi o que aprendi lendo Poemas da Recordação e outros movimentos , de Conceição Evaristo, que, felizmente, chega a mais uma edição. Através de uma poética prenhe, aprendida de mãe (“mulher prenhe de dizeres, fecundados na boca do mundo”), Conceição faz pensar na mulher como aquela que pare mundos, descendências e novas possibilidades de ser através da escrita. Seus poemas nos colocam em contato com o poder criador feminino e negro que é, também, literário.
Esse é um dos presentes que a poeta generosamente nos oferta com brandura e violência, ao modo de um rio que flui e ruge sob a aparentemente calmaria. Sua estética ganha corpo através de volteios e redemoinhos, desenhando tempos que avançam enquanto retornam. Por isso os poemas de Conceição Evaristo transgridem a lógica do tempo de Chronos (o pai que devora seus filhos) para refrescar-nos com o tempo da recordação (que é também fabulação), cíclico e espiral.
Através dos versos, ouvimos a água estalar nas tinas de lavagem de roupa, a maré enchendo e as vozes mudas caladas, entaladas nas gargantas, transbordando em cantos que atravessam e modificam o presente. Vozes transatlânticas. Esse é o jogo de escrever no escuro, que acorda nossos ouvidos para narrativas insubmissas de liberdade, “tomando o lugar da escrita, como direito, assim como se toma o lugar da vida”. Sigamos a sinuosidade das águas deslizantes que contornam as pedras do caminho e trincam a máscara do silêncio.
Heleine Fernandes é escritora e professora de Literatura Brasileira na UFRJ.
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| Importante | |
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| Código da Certificação ANVISA | Não Se Aplica |
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| Código da Homologação | Não Se Aplica |
Edição Comemorativa de Dez Anos da Editora Malê
Sinopse
No princípio, era a mãe. Ou seja, o verbo era mulher. Foi o que aprendi lendo Poemas da Recordação e outros movimentos , de Conceição Evaristo, que, felizmente, chega a mais uma edição. Através de uma poética prenhe, aprendida de mãe (“mulher prenhe de dizeres, fecundados na boca do mundo”), Conceição faz pensar na mulher como aquela que pare mundos, descendências e novas possibilidades de ser através da escrita. Seus poemas nos colocam em contato com o poder criador feminino e negro que é, também, literário.
Esse é um dos presentes que a poeta generosamente nos oferta com brandura e violência, ao modo de um rio que flui e ruge sob a aparentemente calmaria. Sua estética ganha corpo através de volteios e redemoinhos, desenhando tempos que avançam enquanto retornam. Por isso os poemas de Conceição Evaristo transgridem a lógica do tempo de Chronos (o pai que devora seus filhos) para refrescar-nos com o tempo da recordação (que é também fabulação), cíclico e espiral.
Através dos versos, ouvimos a água estalar nas tinas de lavagem de roupa, a maré enchendo e as vozes mudas caladas, entaladas nas gargantas, transbordando em cantos que atravessam e modificam o presente. Vozes transatlânticas. Esse é o jogo de escrever no escuro, que acorda nossos ouvidos para narrativas insubmissas de liberdade, “tomando o lugar da escrita, como direito, assim como se toma o lugar da vida”. Sigamos a sinuosidade das águas deslizantes que contornam as pedras do caminho e trincam a máscara do silêncio.
Heleine Fernandes é escritora e professora de Literatura Brasileira na UFRJ.