Mães - Um Ensaio Sobre O Amor E A Crueldade

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Em Uma De Suas Principais Obras

Jacqueline Rose, crítica fortemente envolvida com a psicanálise, desmonta expectativas acerca da maternidade e examina com clareza brutal como a figura materna se tornou, em diferentes esferas, alvo de crueldade consentida e exclusão social. Ao mobilizar história, política, psicanálise e literatura, a autora revela as forças implacáveis que operam no discurso ocidental, ora tendendo à idealização, ora partindo para uma culpabilização impiedosa das mulheres que maternam.

Cenário de Restrições e Violência

Seguindo o fio dos acontecimentos das últimas décadas, Rose demonstra que, com frequência, gestantes e mães solo são retratadas pela imprensa como ameaças ao bem-estar da sociedade. Além disso, traz dados aterrorizantes em relação às suas participações na vida pública: no Reino Unido, mais de 50 mil mulheres perdem o emprego todos os anos em decorrência da gravidez. Longe de estar restrito ao contexto britânico, esse cenário de cerceamento de escolhas e comportamentos segue uma agenda duradoura e, como descreve Rose, alcança as instâncias mais íntimas da experiência humana.

Revisitação de Ideias e Confronto de Modelos

Ao revisitar psicanalistas como Sigmund Freud, Donald W. Winnicott e Melanie Klein, e incorporar contribuições vindas do feminismo, o livro confronta as principais ideias, símbolos e metáforas em torno da maternidade.

  • O modelo da mãe perfeita
  • O amor materno puro e incondicional

Sustentando que a negação das ambivalências inerentes ao processo e a insistência em um ideal se materializam em formas de violência socialmente aceitas.

Resgate de Exemplos Literários e Trajetória Analítica

Em contraponto a esse imaginário, Rose resgata exemplos literários de mães viradas pelo avesso, que desafiam arquétipos e se voltam para os conflitos internos e os lados mais obscuros de sua existência. Ela faz um percurso analítico desde Medeia e as tragédias gregas, passando por Virginia Woolf e Sylvia Plath, e chegando às contemporâneas Alison Bechdel, Rachel Cusk e Elena Ferrante, a quem dedica um capítulo inteiro.

Conclusão e Reivindicação

Assim, Mães: Um Ensaio Sobre O Amor E A Crueldade , ilumina uma das questões mais enraizadas em nosso imaginário, devolvendo a maternidade à dimensão política da qual é indissociável e reivindicando um novo modo de estar no mundo, atento ao papel essencial das mães na garantia de qualquer futuro.