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Invenção do Leitor: Dom Quixote e o Romance, A

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A Invenção do Leitor

Primeira tese brasileira dedicada integralmente a Dom Quixote, este livro de Franklin de Mattos é um convite à releitura do clássico de Miguel de Cervantes, puxando por um dos fios centrais da trama: a leitura literária, sua natureza e seus frutos tão imprevisíveis.

Como explica Cervantes logo nas primeiras páginas do romance, as muitas noites em branco, dedicadas à leitura de livros de cavalaria, estão na raiz do desvario que permite a Dom Quixote transformar moinhos em gigantes ou estalagens em castelos. Não é de estranhar, portanto, que tantos comentadores de Cervantes tenham se interessado pelo tema da leitura e pelo tema vizinho: a natureza da imaginação, "a louca da casa", como dirá o século XVII.

A Invenção do Leitor inscreve-se nessa longa tradição, que Franklin de Mattos conhece em detalhe, ao mesmo tempo que a renova a partir de inspirações colhidas em alguns dos grandes críticos e teóricos da literatura do século XX.

O resultado é fascinante, e por muitos lados:

  • Porque lança luz nova sobre o texto cervantino e relê episódios e personagens com imenso frescor.
  • Porque desafia ideias feitas sobre a natureza da leitura, da imaginação, da paródia, do riso, e faz isso desdenhando da oposição costumeira entre o cômico e o sério.
  • Porque é escrito com uma verve humana e estilística que não se desmente nunca.

"Nada se perde no texto de Franklin de Mattos: nenhuma palavra, nenhuma frase, nenhuma ideia", afirma Maria Augusta Vieira, autora do prefácio.

Meditação originalíssima sobre a leitura e a imaginação, A Invenção do Leitor merece lugar entre os grandes ensaios críticos sobre Cervantes.