Fascismo Tardio - Raça, Capitalismo E Política Da Crise
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Fascismo Tardio: Raça, Capitalismo e Política da Crise
Em um mundo tomado por crises ecológicas, econômicas e políticas, as forças do autoritarismo têm saído na frente. Como nomear e responder a esse estado de coisas?
Em Fascismo Tardio: Raça, Capitalismo e Política da Crise, Alberto Toscano critica a associação do fascismo unicamente com o tipo de violência política dos regimes europeus de meados do século XX. Em vez de procurar analogias históricas, ele entende o fascismo como um processo mutável, ancorado no capitalismo racial e colonial, que antecede e sobrevive às suas encarnações na Itália de Mussolini e na Alemanha de Hitler.
A extrema direita global do século XXI se move por teorias da conspiração, pânico moral e espantalhos em torno de temas como sexualidade, imigração e direitos reprodutivos, como a chamada ideologia de gênero e Grande Substituição.
Desenvolver uma teoria antifascista é uma tarefa urgente e vital: este livro é uma tentativa de contribuir para uma discussão coletiva sobre nosso ciclo político reacionário, escreve o autor.
A Edição da Boitempo Traz Dois Importantes Acréscimos em Relação à Original:
- Um novo prefácio em que o autor se dirige ao público brasileiro e tematiza as especificidades do bolsonarismo.
- Um apêndice dedicado aos debates latino-americanos sobre o fascismo nos anos 1970, em diálogo com intelectuais brasileiros da Teoria Marxista da Dependência, como Ruy Mauro Marini e Theotônio dos Santos.
Em um momento no qual a extrema-direita oscila entre a nostalgia e a inovação tecnológica, entre a encenação permanente e a violência política, este livro oferece instrumentos indispensáveis para compreender não apenas o retorno de velhos fantasmas, mas as formas inéditas que eles assumem no presente, pontua Douglas Barros no texto de orelha.
Toscano restitui ao conceito de fascismo sua força crítica e sua urgência política.
Trecho:
Na medida em que podemos falar de fascismo hoje, trata-se de um fascismo em grande medida esvaziado (embora com exceções importantes) de movimento de massas e de utopia, um fascismo desprovido do que Ernst Bloch chamou de não contemporaneidade e do que Georges Bataille denominou heterogeneidade, um fascismo que não está reagindo à ameaça iminente da política revolucionária, e sim retém a fantasia racial do renascimento nacional e a circulação frenética de um discurso pseudoclassista. A melhor maneira de lidar com este último não é fomentar a figura sociologicamente espectral e suspeita da classe trabalhadora branca esquecida, mas confrontar o que significa uma política coletiva hoje. Aceitar esse simulacro racializado de um proletariado não é um trampolim para uma política de classes, mas um obstáculo a ela, sua forma ersatz [substitutiva degradada] maliciosa e debilitante. Meu objetivo é esboçar para debate e discussão coletivos os aspectos elementares de uma pseudoinsurgência, com a ressalva de que uma pseudoinsurgência foi, em muitos aspectos, o que os fascismos assassinos do período entreguerras na Europa também encarnaram.
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Fascismo Tardio: Raça, Capitalismo e Política da Crise
Em um mundo tomado por crises ecológicas, econômicas e políticas, as forças do autoritarismo têm saído na frente. Como nomear e responder a esse estado de coisas?
Em Fascismo Tardio: Raça, Capitalismo e Política da Crise, Alberto Toscano critica a associação do fascismo unicamente com o tipo de violência política dos regimes europeus de meados do século XX. Em vez de procurar analogias históricas, ele entende o fascismo como um processo mutável, ancorado no capitalismo racial e colonial, que antecede e sobrevive às suas encarnações na Itália de Mussolini e na Alemanha de Hitler.
A extrema direita global do século XXI se move por teorias da conspiração, pânico moral e espantalhos em torno de temas como sexualidade, imigração e direitos reprodutivos, como a chamada ideologia de gênero e Grande Substituição.
Desenvolver uma teoria antifascista é uma tarefa urgente e vital: este livro é uma tentativa de contribuir para uma discussão coletiva sobre nosso ciclo político reacionário, escreve o autor.
A Edição da Boitempo Traz Dois Importantes Acréscimos em Relação à Original:
- Um novo prefácio em que o autor se dirige ao público brasileiro e tematiza as especificidades do bolsonarismo.
- Um apêndice dedicado aos debates latino-americanos sobre o fascismo nos anos 1970, em diálogo com intelectuais brasileiros da Teoria Marxista da Dependência, como Ruy Mauro Marini e Theotônio dos Santos.
Em um momento no qual a extrema-direita oscila entre a nostalgia e a inovação tecnológica, entre a encenação permanente e a violência política, este livro oferece instrumentos indispensáveis para compreender não apenas o retorno de velhos fantasmas, mas as formas inéditas que eles assumem no presente, pontua Douglas Barros no texto de orelha.
Toscano restitui ao conceito de fascismo sua força crítica e sua urgência política.
Trecho:
Na medida em que podemos falar de fascismo hoje, trata-se de um fascismo em grande medida esvaziado (embora com exceções importantes) de movimento de massas e de utopia, um fascismo desprovido do que Ernst Bloch chamou de não contemporaneidade e do que Georges Bataille denominou heterogeneidade, um fascismo que não está reagindo à ameaça iminente da política revolucionária, e sim retém a fantasia racial do renascimento nacional e a circulação frenética de um discurso pseudoclassista. A melhor maneira de lidar com este último não é fomentar a figura sociologicamente espectral e suspeita da classe trabalhadora branca esquecida, mas confrontar o que significa uma política coletiva hoje. Aceitar esse simulacro racializado de um proletariado não é um trampolim para uma política de classes, mas um obstáculo a ela, sua forma ersatz [substitutiva degradada] maliciosa e debilitante. Meu objetivo é esboçar para debate e discussão coletivos os aspectos elementares de uma pseudoinsurgência, com a ressalva de que uma pseudoinsurgência foi, em muitos aspectos, o que os fascismos assassinos do período entreguerras na Europa também encarnaram.
